Vanille Goovaerts e Ricardo Herz encontram raízes brasileiras
O encontro entre Vanille Goovaerts e Ricardo Herz ganha forma no álbum “Arcos Brasileiros”, que une violino e rabeca em um diálogo entre instrumentos que, historicamente, vieram do mesmo tronco sonoro, mas foram desenhados por histórias diferentes na música brasileira. O disco, já disponível nas plataformas digitais, também será apresentado ao vivo no Instrumental Sesc Brasil, no dia 7 de abril, às 19h, com repertório autoral e inédito que valoriza timbres, ritmos e gestos da música popular brasileira. O projeto atravessa gêneros como xote, baião, maracatu, frevo, chamamé, toque de Iuna, boi, forró, samba, ijexa, choro e marchinha, mostrando a riqueza e a originalidade desses arcos em um mesmo universo musical.
A proposta de “Arcos Brasileiros” é desmontar a ideia de que o violino pertence exclusivamente à tradição europeia ou à música erudita, reinventando-o como um instrumento mais rítmico, harmônico e improvisador, capaz de acompanhar, dialogar e dançar junto à música popular. Ao mesmo tempo, o álbum resgata a rabeca, antecessora direta do violino, e a coloca como protagonista de manifestações culturais profundamente enraizadas no Brasil. O trabalho responde a uma necessidade urgente de valorizar um instrumento que, apesar de sua importância histórica, permanece pouco conhecido fora de círculos tradicionais, recuperando sua presença sonora e simbólica no cenário nacional.
Historicamente, o violino entrou no Brasil a partir de um nome que já carregava a identidade popular: rabeca. Com a urbanização e a elitização da nomenclatura no século XX, criou‑se uma falsa cisão entre “violino” (associado à arte erudita) e “rabeca” (marcado como popular e até menor), quando, na verdade, ambos sempre fizeram parte de uma mesma árvore sonora. “Arcos Brasileiros” propõe a reintegração dessas narrativas, mostrando que a rabeca não é um vestígio esquecido, mas uma continuidade viva e rítmica do que se passou a chamar de violino nas grandes cidades. Para Vanille, colocar a rabeca em evidência é celebrar sua sonoridade única; já Ricardo Herz reforça que o próprio violino um dia foi chamado de rabeca por todo o país e que o projeto busca reatar essa linha de continuidade.
Ao unir violino e rabeca em um repertório que combina invenção e raiz, Vanille Goovaerts e Ricardo Herz construem uma linguagem que dialoga com o regional, sem perder a dimensão de experimentação. O album prova que a música popular brasileira não precisa se dividir entre “erudito” e “popular”, mas pode tratar ambos como territoriais da mesma matriz sonora, em que o arco vira um vetor de memória, resistência e inovação. O encontro no palco do Instrumental Sesc Brasil amplia esse convite à escuta, convidando o público a perceber como a rabeca e o violino, quando reunidos, revelam uma história musical mais plural, viva e brasileira do que o senso comum costuma reconhecer.
SERVIÇO: ARCOS BRASILEIROS NO INSTRUMENTAL SESC BRASIL
Data e horário: 7 de abril, terça-feira, às 19 horas
Local: Teatro Anchieta – Sesc Consolação
Espetáculo Gratuito
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