Exposição ‘Galeno, o mistério do simples’ chega a SP

CAIXA Cultural recebe retrospectiva de Francisco Galeno a partir de 6 de novembro

Francisco Galeno pinta no ateliê. Foto: Diazul de Cinema - produtora do filme “Galeno, curumim arteiro”
Francisco Galeno pinta no ateliê. Foto: Diazul de Cinema – produtora do filme “Galeno, curumim arteiro”

(1956–2025) está entre os nomes mais importantes da arte brasileira contemporânea. Piauiense criado em Brasília, construiu uma pintura de cores intensas e formas geométricas a partir de objetos simples do cotidiano. A partir de 6 de novembro, a apresenta “Galeno, o mistério do simples”, com curadoria de Paulo Herkenhoff. A mostra fica em cartaz até 7 de fevereiro de 2027, com entrada gratuita.

Galeno tem trajetória também na cena paulistana, com a individual “O Piauí é aqui – o Piauí não é aqui”, na Galeria Galatea, e obras apresentadas na SP-Arte. A exposição esteve na CAIXA Cultural Brasília entre junho e outubro deste ano e, depois de São Paulo, segue para o Rio de Janeiro, em 2027. Herkenhoff, que foi curador da 24ª Bienal de São Paulo, de 1998, conhecida como Bienal Antropofágica, e do Pavilhão Brasileiro na 47ª Bienal de Veneza, foi escolhido pelo próprio Galeno, de quem era amigo próximo, ainda durante a preparação da mostra. Pensado como retrospectiva, o projeto ganhou também o sentido de homenagem depois da morte do artista, em 2 de junho de 2025, em Parnaíba. Para o curador, Galeno tem lugar entre os grandes coloristas do país. “Se a gente escrever uma história da cor no Brasil, o Galeno é fundamental”, afirma. Herkenhoff também rejeita a leitura de Galeno como artista ingênuo ou apenas popular: “Galeno produziu uma geometria sensível, construída entre a cultura popular brasileira, a memória afetiva e a experiência contemporânea”.

Galeno nasceu em Parnaíba, no litoral do Piauí, e chegou ainda menino ao Distrito Federal com o pai, um dos candangos que foram trabalhar na construção de Brasília. A família se fixou em Brazlândia, cidade-satélite onde ele cresceu junto com a nova capital. Desse trânsito entre o Nordeste e o Cerrado vêm os objetos que povoam a obra: pipas, piões, lamparinas, carretéis e barcos de madeira. Na pintura de Galeno, eles viram faixas de cor e pequenas arquiteturas de equilíbrio precário. , da Referência Galeria de Arte, coordena o projeto e foi amiga e galerista de Galeno por muitos anos. “A obra dele é simples, colorida, alegre, transmitindo autenticidade e verdade. A simplicidade da obra do Galeno é tão querida e tão desejada que passa a ser um mistério”, diz.

Em São Paulo, a seleção se concentra na pintura, técnica que predominou na produção do artista. O percurso começa pela família, com obras que homenageiam os pais e objetos carregados de memória, como um carretel ligado a uma máquina de costura e uma vassoura com um pedaço de renda, em referência à mãe. Estão ali também duas camisas que Galeno desenhou para o time de Brazlândia, cujos triângulos pintados no piso lembram o calçadão da cidade, outra obra pública do artista. Por escolha do curador, a primeira fileira de quadros fica na altura do olhar das crianças. Uma sala azul é dedicada à Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima, na quadra 308 Sul, em Brasília, projeto de . Em 2009, Galeno foi convidado a pintar o interior da igreja, onde os afrescos originais de haviam sido apagados. Na sala, duas fotografias feitas do mesmo ângulo mostram as duas versões do altar, a de Volpi e a de Galeno, ao lado de estudos de Nossa Senhora e dois azulejos de Athos Bulcão. No arco de vidro da sala está suspensa a última tela em que Galeno trabalhava, encontrada pelos filhos no cavalete, e o público pode assistir ao documentário “Galeno, Curumim Arteiro”, de Marcelo Diaz. No alto da última sala, uma frase do artista em letras de relevo resume o espírito da mostra: “Quero ser lembrado como o Galeno, um cara que pintava quadros”.

A exposição tem audiodescrição das obras, acessível por QR Code ao lado das legendas, e intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras) na abertura, com visita guiada no dia 6. Premiado no Salão Nacional de Artes Plásticas em 1981, Galeno tem obras nos acervos do Palácio Itamaraty, do Museu de Arte do Rio, do Museu Nacional de Belas Artes e do Museu de Arte de Brasília, entre outros. Uma de suas pinturas foi presenteada por Dilma Rousseff a Barack Obama. Nos últimos anos, participou da 14ª Bienal do Mercosul e, em 2025, a obra “As Quatro Estações” passou a integrar o acervo do Palácio do Planalto. Os filhos do artista estão à frente do Instituto Francisco Galeno, criado para preservar e catalogar a obra. “Tenho certeza de que essa exposição será também uma forma de manter vivo todo o legado que ele construiu ao longo da vida”, diz João Francisco de Andrade Galeno, filho do artista.

SERVIÇO
Exposição: Galeno, o mistério do simples
Visitação: De 6 de novembro de 2026 a 7 de fevereiro de 2027, de terça a domingo, das 9h às 18h
Local: CAIXA Cultural São Paulo, Praça da Sé, 111, Centro, São Paulo (SP)
Entrada: gratuita

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