Stray Kids fecha dia de K-pop do Rock in Rio com espetáculo

Com passarela ampliada, lightsticks liberados e plateia eufórica, grupo sul-coreano apresentou sonoridade barulhenta

Stray Kids no palco Mundo do Rock in Rio / Foto: Leo Franco/AgNews
Stray Kids no palco Mundo do Rock in Rio / Foto: Leo Franco

O grupo Stray Kids encerrou a primeira noite de K-pop da história do Rock in Rio, reunindo uma multidão com 100 mil ingressos esgotados. No palco, os oito integrantes apresentaram coreografias precisas e arriscaram palavras em português, enquanto a organização liberou os bastões de luz e uma grande passarela para a apresentação. Formado em 2017, o conjunto sul-coreano acumula nove álbuns consecutivos no topo da Billboard 200 e já vendeu mais de 30 milhões de álbuns, se destacando por autoproduzir suas canções, unindo batidas eletrônicas pesadas, rap e R&B, em um estilo agressivo chamado de “noise music”.

Eram oito integrantes no palco e muito a se falar sobre a performance deles, mas é difícil escapar do clichê: no show do Stray Kids, o maior espetáculo veio da plateia. Em sua segunda vinda ao Brasil, após shows em estádios do Rio e de São Paulo no ano passado, o grupo mostrou suas credenciais para ter se tornado headliner da primeira noite de K-pop da história do festival. Foram recebidos por gritos, cantoria e muitas dancinhas dos STAYs, codinome dos fãs, que retribuíram com coreografias precisas no palco, com destaque para a de “Domino”.

Com tanta dança, é claro que eles se apoiam em vocais de apoio gravados, mas é fácil notar que há partes cantadas ao vivo, como o trecho de “Ai se eu te pego”, hit na voz de Michel Teló. Para atender ao estilo de show do grupo, a organização do festival fez concessões: os lightsticks, bastões de luz essenciais entre os acessórios de kpoppers, foram liberados, e os integrantes puderam avançar por uma enorme passarela que não faz parte do cenário costumeiro do Palco Mundo. De lá, gritaram palavras de ordem em português como “Faz barulho”, “Pula” e “Caraca”, além de discursos em inglês e coreano com tradução simultânea, dizendo que não era possível ver o final da multidão.

Ao vivo, o Stray Kids mistura eletrônica de batidas pesadas, rap e vocais e harmonias associados ao R&B. Também anunciaram que incluiriam um pouco de samba em “Chk Chk Boom”, mas a influência na percussão veio tímida. No geral, as letras falam de autoafirmação, saúde mental e a ideia de buscar seu caminho na vida, o que combina com o nome do grupo: são “crianças perdidas” procurando rumo. Formado em 2017 pela produtora JYP Entertainment em um reality show, o Stray Kids se tornou um dos grupos do estilo mais bem-sucedidos.

Stray Kids no palco Mundo do Rock in Rio / Foto: Leo Franco/AgNews
Stray Kids no palco Mundo do Rock in Rio / Foto: Leo Franco

Os oito integrantes, entre 24 e 29 anos, Bang Chan, Lee Know, Changbin, Hyunjin, Han, Felix, Seungmin e I.N, se diferenciam por produzir a maioria de suas músicas, processo comandado pelo trio 3RACHA, espécie de subgrupo formado por Bang Chan, Changbin e Han. Quando começaram, parte da crítica disse que o som era barulhento demais e não aceitou aquele “caos sonoro”, e a partir dessas reações cunharam o termo “noise music”, escolhido de forma irônica.

O álbum “NOEASY” era uma adaptação desse trocadilho, e a faixa “Thunderous” brinca com a palavra coreana “sori”, ruído, e com a tradição dos cantores de pansori, transformando a ideia de “som barulhento” em algo proposital. Os arranjos considerados agressivos fogem mesmo um pouco do padrão super aparadinho dos hits do estilo, com a maior exceção em “After You”, de estrutura mais tradicional e ecos da EDM. A versão ao vivo de “Walkin On Water”, por exemplo, poderia facilmente estar no repertório de uma banda de new metal, e “LALALALA” não faria feio no álbum de um artista de pop punk. O fato de terem uma banda com baixo, guitarra, bateria e teclado no palco colabora com todo o peso.

O barulho virou conceito, mas nada tem a ver com o noise rock ou com o noise eletrônico, bem mais áspero e com a distorção como protagonista. O ruído no show do Stray Kids vem dosado, com elementos agressivos em momentos estratégicos, como no refrão. Mas o ruído que mais pega um desavisado pelo ouvido ainda é o do fandom do octeto. Se alguns criticaram as plateias dos dois dias de rock do festival, que não esgotaram os ingressos e empolgaram menos do que de costume, isso nunca poderia ser dito sobre os kpoppers.

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