Filme une realismo mágico, vivências queer e estética experimental
O longa de animação “Bouchra”, dirigido por Meriem Bennani e Orian Barki, surge como uma das propostas mais originais do cinema recente ao acompanhar uma coiote marroquina vivendo no Brooklyn. Misturando relato pessoal, fantasia e humor, o filme constrói uma narrativa íntima que aborda experiências afetivas e sexuais sob uma lente pouco convencional.
Apresentado em festivais internacionais desde 2024, o projeto ganhou lançamento limitado nos cinemas dos Estados Unidos em junho. A produção chama atenção por sua abordagem voltada ao público adulto e pelo uso criativo da animação para explorar temas complexos, fugindo dos padrões mais comerciais do gênero.
O desenvolvimento do filme começou durante a pandemia, quando as diretoras passaram a colaborar a partir de referências híbridas entre documentário e ficção. A proposta evoluiu a partir de experimentações com personagens antropomórficos e situações do cotidiano, criando uma linguagem que transita entre o real e o imaginário.
Assim como o ganhador do Oscar “Flow”, grande parte da produção foi realizada com o software Blender, em um processo colaborativo e pouco convencional. Sem seguir etapas tradicionais como storyboard rígido, a equipe desenvolveu cenas de forma contínua e orgânica, com animação, edição e reescrita acontecendo simultaneamente ao longo de quase três anos.

A estética do filme aposta em uma mistura de estilos, combinando realismo mágico, elementos documentais e sequências oníricas. Um exemplo é a liberdade criativa de cenas que seriam inviáveis em live-action, reforçando o potencial da animação como ferramenta narrativa sem limitações físicas.
Entre as influências citadas pela equipe estão nomes como Peter Chung, criador de “Aeon Flux”, além de Richard Williams, conhecido por “Uma Cilada para Roger Rabbit”. Referências como “Allegro Non Troppo” e obras experimentais também ajudam a moldar o caráter híbrido e autoral da produção.
A equipe enxuta foi outro desafio do projeto, com poucos artistas assumindo múltiplas funções ao longo da produção. A animação principal ficou concentrada em um número reduzido de profissionais, exigindo soluções criativas para lidar com limitações técnicas e de tempo.
Mais do que contar uma história, “Bouchra” reforça o potencial da animação como linguagem para narrativas adultas e autorais. O filme se posiciona como parte de um movimento contemporâneo que busca expandir os limites do formato, explorando novas possibilidades estéticas e temáticas.
Vamos torcer para esta animação chegar logo aos cinemas brasileiros!
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