CASACOR SP ganha homenagem à identidade latino-americana

Ambiente assinado por Lucas Carrara transforma arquitetura em narrativa cultural

A estreia do arquiteto Lucas Carrara na CASACOR São Paulo acontece com um convite à contemplação, à memória e à valorização das múltiplas identidades que compõem a América Latina. Batizado de “Tramas e Transbordos”, o ambiente apresentado na edição 2026 da mostra propõe uma imersão nas referências culturais, históricas e afetivas do continente por meio de um living concebido como espaço de permanência, encontro e acolhimento. A proposta transforma o espaço expositivo em uma experiência sensorial construída a partir de objetos, arte, arquitetura e narrativas visuais.

Crédito: Divulgação

Distribuído em 35 metros quadrados, o ambiente combina mobiliário, obras de arte, tecidos, cerâmicas, livros e elementos decorativos cuidadosamente selecionados para construir um panorama visual da latinidade contemporânea. A composição aposta em uma arquitetura emocional, onde formas orgânicas, madeira, iluminação indireta e materiais naturais dialogam com obras que exploram ancestralidade, miscigenação, cultura popular e memória coletiva. O resultado é um espaço que se afasta da lógica puramente estética para construir uma narrativa sobre pertencimento e identidade cultural.

Entre os principais elementos do projeto estão instalações artísticas, painéis compostos por porcelanas pintadas à mão, objetos indígenas, referências ao artesanato, tecidos drapeados e releituras contemporâneas de objetos cotidianos latino-americanos. O projeto também estabelece conexões diretas entre arquitetura e moda, tratando os revestimentos e texturas como linguagens capazes de vestir o espaço e expressar heranças culturais compartilhadas entre diferentes países da região. A proposta dialoga diretamente com o tema da edição deste ano da mostra, que convida arquitetos a repensarem ambientes a partir de perspectivas mais humanas e sensíveis.

Mais do que apresentar um ambiente decorado, “Tramas e Transbordos” surge como um exercício de narrativa espacial, utilizando a arquitetura como ferramenta para discutir memória, território e diversidade cultural. Em um momento em que exposições e mostras de design buscam ampliar debates sobre identidade e pertencimento, o projeto reforça como espaços físicos podem funcionar também como dispositivos culturais capazes de provocar reflexão, reconhecimento e conexão emocional.

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