Relógios inteligentes: como usar os dados a seu favor

Cardiologista alerta que dispositivos são aliados valiosos, mas com limitações importantes

Tecnologia pode gerar informações pessoais úteis no dia a dia, mas especialista médico alerta que nem sempre os dados são 100% precisos

Os relógios e anéis inteligentes tornaram-se ferramentas populares para quem busca uma vida mais saudável, mas saber interpretar seus dados faz toda a diferença. O cardiologista Eduardo Lapa, diretor médico da Afya e fundador do Afya Cardiopapers, aponta cinco pontos de atenção essenciais para usar essas tecnologias com inteligência.

Os 5 pontos de atenção

1. Frequência cardíaca — referência, não verdade absoluta
Os dispositivos medem bem os batimentos em repouso, mas o suor e o movimento dos braços comprometem o sensor óptico em atividades intensas. “Use o número mais como uma base do que como uma verdade absoluta naquele momento”, orienta Lapa. Oscilações bruscas durante o treino não devem ser motivo de alarme imediato.

2. VO2 máximo — acompanhe a tendência, não o valor pontual
Os relógios não medem diretamente a função pulmonar: estimam o VO2 máximo com base na velocidade e na resposta cardíaca. O ideal é observar se o número está subindo ao longo das semanas, e não se apegar à leitura isolada de um único dia.

3. VFC (HRV) — termômetro da recuperação
A Variabilidade da Frequência Cardíaca mede a variação entre os batimentos e indica o estado de recuperação do organismo. Índices baixos por vários dias consecutivos podem sinalizar necessidade de mais descanso — inclusive antes que o cansaço apareça. A recomendação é analisar o gráfico semanal.

4. Sono — tendências confiáveis, classificações aproximadas
O registro do horário do sono e de despertares é confiável, mas as informações sobre sono profundo e REM são inferidas a partir de movimentação e frequência cardíaca — não de atividade cerebral. Útil para identificar tendências, mas não substitui avaliação clínica em casos de suspeita de distúrbios.

5. ECG de pulso — triagem, não diagnóstico
A função de eletrocardiograma pode detectar batimentos irregulares que passariam despercebidos. “O relógio pode detectar alterações que seriam interessantes para uma triagem inicial”, afirma Lapa. Diante de qualquer alerta, a orientação é procurar um médico e apresentar o registro gerado.

“A tecnologia pode ajudar quem está procurando melhorar a saúde, mas é importante lembrar que os aparelhos podem cometer erros relevantes e que decisões sobre diagnóstico e tratamento devem sempre passar por um médico de confiança”, conclui o cardiologista.

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