“As sete faces de um anjo sem trombeta” revisita amores e perdas nos últimos sete dias de um homem singular

As sete faces de um anjo sem trombeta (Editora Labrador), novo romance da escritora carioca Lilian Dias, acompanha os últimos sete dias de Mundo, um titereiro que apresenta seu teatro de bonecos nas ruas de Lisboa. Estruturado em ordem temporal inversa — da segunda-feira, seu último dia, até a terça-feira da semana anterior —, o livro cria um efeito de circularidade que espelha a forma não cronológica como a mente processa o luto e a despedida. A obra conta com ilustrações de Regina Corrêa, texto de orelha do poeta Rodrigo Carpi Nejar e prefácio de Henrique Cairus, professor titular de Língua e Literatura Grega da UFRJ.
Mundo é um homem de mais de dois metros que nunca parou de crescer — condição que funciona como metáfora para uma existência marcada por isolamento e incompreensão. Sua relação com os bonecos Geralda, Nonato e as “crianças” Serginho, Çula e Pião revela um criador profundamente ligado às suas criações. Enquanto seu corpo sucumbe a uma fadiga misteriosa, sua mente mergulha em memórias do Recife e de um amor passado, questionando os limites entre o criador e o que ele cria.
A prosa poética da autora dialoga intensamente com a literatura de língua portuguesa — Valter Hugo Mãe, Mia Couto e José Eduardo Agualusa são citados como referências — e apresenta citações diretas de Fernando Pessoa, Almada Negreiros e Manuela Margarido. O romance também estabelece um paralelo com o Poema de Sete Faces, de Carlos Drummond de Andrade: a sexta estrofe do poema forneceu o mote para a criação do personagem Raimundo, cujo nome e “coração mais vasto que o próprio mundo” ecoam o verso drummondiano.
Lilian Dias tem 59 anos e vive em Saquarema, no litoral fluminense. Com trajetória que passou pela filosofia, tradução literária, livraria e restauração de livros antigos, dedica-se à escrita de ficção desde 2015. O livro nasceu de um período de luto: “As perdas sucessivas de pessoas próximas nos últimos anos foi o que mais motivou minha escrita”, afirma a autora, que levou mais de um ano para finalizar a obra, especialmente o último capítulo, que traduz o conceito de circularidade entre nascimento, vida e morte.
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