Jornalista transforma experiência de saúde mental do pai em trama de suspense e luto

O jornalista e escritor Plácido Berci lança seu primeiro romance ficcional, “Louca normalidade”, pela editora Mondru. A obra mergulha em temas profundos como saúde mental, laços familiares e a passagem do tempo, narrando a história de Francisco Solano, um jornalista investigativo aposentado com um quadro psiquiátrico misterioso que, após sofrer um AVC, passa a registrar tudo em blocos de notas para preservar sua memória fragmentada. O romance dialoga com suspense psicológico e drama familiar, construindo um clima de tensão entre o que é verdade e o que é invenção da mente fragilizada.
A trama ganha contornos de mistério quando Francisco acorda com uma anotação enigmática sobre uma mulher, uma praia e uma sequência de letras e números. Entre flashbacks, sonhos e investigações solitárias, o protagonista tenta decifrar se testemunhou um crime ou se sua mente, marcada por traumas, AVC e problemas psiquiátricos, inventou realidades paralelas. A narrativa alterna entre a terceira pessoa e as anotações íntimas de Francisco, recurso que aproxima o leitor do universo confuso do personagem e convida a refletir sobre o que significa “mente saudável” em uma sociedade que muitas vezes cria hipóteses, julgando quem não segue padrões.
Inspirado na figura de seu pai, Pedro Berci Filho, Plácido começou a escrever o livro em 2018, observando o hábito paterno de anotar tudo após um AVC. “O personagem principal, Francisco Solano, é praticamente todo inspirado no meu pai, fisicamente e, principalmente, em termos de comportamento e personalidade”, revela. A morte do pai durante o processo de escrita acrescentou novas camadas emocionais à obra, transformando o romance também em um exercício de luto e elaboração. Com cinco anos de escrita e mais dois até a publicação, “Louca normalidade” dialoga com referências cinematográficas de diretores como Alfred Hitchcock e Martin Scorsese, e literárias de autores como Daniel Galera e Raphael Montes, em uma prosa que foge do didatismo e se mantém próxima do leitor.
A obra aborda com sensibilidade dinâmicas familiares complexas, especialmente a relação entre avô, filho e neto, revelando segredos e mágoas que só emergem no processo de envelhecimento e no confronto com a própria finitude. “É uma história sobre reflexão, aceitação e libertação; para o personagem, para o autor e, porque não, para o meu pai também”, define Plácido, que atua como repórter e apresentador esportivo da TV Globo em São Paulo. Para ele, o objetivo foi gerar reflexão sobre preconceito em relação a quem é visto “fora dos padrões” por questões ligadas à saúde mental, tratando o tema sem sensacionalismo, mas com intensidade dramática.
Além do suspense, o romance filosofa sobre outros temas como a brevidade da vida, luto, solidão, amor e saudade, em uma narrativa que mistura gênero e ensaio pessoal. A obra chega às livrarias com projeto gráfico cuidadoso e já desponta como potencial leitura de bancada para o público de literatura brasileira contemporânea, com olhar apurado para a família, o Rio de Janeiro em colapso e a construção de uma mente em busca de sua própria verdade.
Adquira o livro “Louca Normalidade” pelo site da editora Mondru:
https://mondru.com/produto/louca-normalidade/
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