Cantor paulista traduz geografia do afeto, origem e universo urbano em seu primeiro EP

Tom Ribeira, uma das vozes mais promissoras da nova cena musical brasileira, lança “Pedaço”, seu primeiro EP, em todas as plataformas digitais no dia 6 de março. O trabalho reúne um recorte íntimo e plural da trajetória do artista, traduzindo em canções a geografia do afeto, a relação com a terra natal e o exercício de descobrir o próprio lugar na música contemporânea. Nascido em Botucatu, interior de São Paulo, o cantor e compositor constrói um disco em que a MPB aparece como fio condutor, enquanto o samba, a bossa nova e o pop desenham paisagens sonoras delicadas, dançantes e universais.
O EP nasce de um ano de imersão criativa, em que Tom Ribeira amadurece um repertório que dialoga entre o particular e o universal, com o afeto sempre em primeiro plano. A faixa‑titular, “Pedaço”, exemplifica bem essa sensibilidade: em versos simples e melodias que balançam com naturalidade, ele canta o coração expansivo, acelerado e quase desordenado, capaz de se encantar pela estranheza do outro na rua. A letra combina candura e leve ironia (“Meu coração bate tanto / E é louco, eu nem te conheço”), construindo um retrato de desejos, paixões efêmeras e da própria vulnerabilidade emocional.
Já “Botucatu” é um hino lírico à cidade que o viu nascer. A canção celebra a memória afetiva do interior paulista, com imagens do Rio Lava‑Pés, da Cuesta, da pedra gigante e do cotidiano marcado pela ladeira, o mercadim e o pão comprado “subindo o morro”. Ao mesmo tempo que canta as raízes, Tom amplia a narrativa para a experiência latino‑americana, feita de beleza, luta e resistência, dando à paisagem local um tom simbólico que ultrapassa o anedótico. O lirismo da música evoca a simplicidade e a profundidade de uma vida despojada, na qual a terra, o rio e o vento se tornam personagens da própria história.
Entre os destaques do EP, aparecem ainda “Juba”, “Vênus ou Urano” e “Baião de Dois”, composições que ampliam o leque de referências e timbres de Tom Ribeira, mostrando sua fluidez entre ritmo, melodia e humor. O estilo do artista remete, ao mesmo tempo, à tradição de Dorival Caymmi, Cartola e Adoniran Barbosa e ao experimentalismo de Itamar Assumpção, sempre com a suavidade vocal e o cuidado interpretativo herdados de referências como Gal Costa. Essa combinação de raiz e liberdade define a identidade de “Pedaço” como um disco de herança carregada de olhar contemporâneo, feito por quem conhece bem o cânone e se sente à vontade para caminhar por ele.
Tom construiu sua base de fãs nas redes sociais, desde os 18 anos, com interpretações autorais e de repertório popular, chegando a mais de 400 mil seguidores e se posicionando como um artista com forte presença digital e de palco. Em 2022, deixou Botucatu para um mochilão e, meses depois, estreou em palcos históricos de Paris, como La Cigale e l’Elysée Montmartre, ampliando o alcance interpretativo de sua música para além das fronteiras brasileiras. Enquanto lança seu primeiro EP, ele percorre palcos do país, com girias próprias e um repertório que dialoga entre o novo e o conhecido.
O lançamento oficial do EP acontece em 6 de março, com show de celebração em 15 de março, no Na Rotina, em São Paulo, com ingressos esgotados, revelando a dimensão do interesse em torno de sua estreia. A turnê de “Pedaço” propõe um encontro intimista, com arranjos acolhedores, em que as composições inéditas dialogam com releituras que marcaram sua formação. O resultado é um disco que funciona como um retrato em andamento da trajetória de Tom Ribeira — um artista que canta o interior, o exterior, o coração e a rua como territórios de um mesmo afeto.
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