Álbum coloca no centro da música de concerto a tradição ancestral da etnia

O Coral Indígena Amba Wera, formado por integrantes do povo Guarani Mbya, e a Orquestra ALMAI lançam, em 10 de março, o álbum “Yy Jojou – Encontro das Águas”, no qual cânticos tradicionais indígenas são reimaginados dentro da música erudita contemporânea. A obra materializa o desejo de aproximar a música ancestral Guarani Mbya do universo da música de concerto, criando um encontro entre duas sonoridades que, como rios, se cruzaram em séculos de encontros e desencontros até convergirem agora pela arte. A gravação estará disponível nas principais plataformas digitais, e no dia 14 de março, às 17h, o Coral e a Orquestra se apresentam gratuitamente na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo.
O projeto reúne a tradição vocal e espiritual do povo Guarani Mbya, representada pelo Coral Amba Wera, com a formação sinfônica da Orquestra ALMAI, sob direção e orquestração dos compositores José Calixto Cohon e Anselmo Mancini. O repertório é composto por cânticos do Povo Guarani Mbya, reorganizados artisticamente pelos dois compositores, que respeitam a estrutura original enquanto expandem a linguagem musical por meio de arranjos sinfônicos. O resultado é uma obra contemporânea em que voz, espiritualidade e cosmovisão Guarani passam a ocupar o centro da experiência, sem que a orquestra se sobreponha: ela escuta, acolhe e amplia, criando uma sonoridade inédita, que se configura como uma travessia entre mundos sonoros.
Com mais de vinte anos de trajetória na cena cultural da Grande São Paulo, o Coral Amba Wera nasce da Aldeia Tekoa Pyau, no Território Indígena do Jaraguá, e é conduzido por Maurício Biguai Poty, figura de liderança comunitária e central no grupo. O modo de cantar Guarani Mbya, fortemente marcado por dimensão ritualística e profunda carga espiritual, ganha novos contornos ao dialogar com a linguagem sinfônica, sem perder a raiz: o que se ouve não é uma aproximação exógena, mas uma construção participativa, na qual o próprio coral conduz o processo criativo e entra em todas as faixas, pondo seus cânticos literalmente no centro da construção sonora.
A Orquestra ALMAI, reconhecida por sua excelência e versatilidade na cena musical paulista, consolida-se como formação sinfônica capaz de transitar entre repertório clássico, música de cinema, popular e projetos de cunho interdisciplinar. Foi a primeira orquestra no Brasil a executar integralmente a recomposição de As Quatro Estações, de Vivaldi, por Max Richter, e desenvolve iniciativas que integram música, diversidade cultural e questões socioambientais, sob a direção artística de Anselmo Mancini. Nesse projeto, a orquestra volta a reafirmar seu compromisso com inovação e diálogo cultural, ao dialogar diretamente com a música e os saberes do povo Guarani Mbya.
A diferença em relação a iniciativas históricas, como as de Heitor Villa‑Lobos, Camargo Guarnieri ou Kilza Setti – em que compositores não indígenas se inspiraram em elementos originários – é marcante: em “Yy Jojou – Encontro das Águas”, o coral indígena está na posição de protagonista do processo, garantindo que a reinterpretação sinfônica não se torne mera apropriação, mas uma cooperação respeitosa e compartilhada. O álbum surge, assim, como um gesto artístico e político de respeito e escuta, que celebra a força viva da cultura Guarani Mbya em diálogo com a tradição clássica, oferecendo ao público uma experiência poética, sensível e transformadora.
O projeto é viabilizado com recursos do Fomento Cult SP, do ProAC Editais PNAB, programa do Governo do Estado de São Paulo por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas. Em sintonia com a lógica de acesso ampliado, foram adotadas medidas de democratização como a realização de dois concertos gratuitos, transmissão ao vivo via streaming das apresentações e disponibilização do álbum em plataformas digitais diversas, fortalecendo o alcance de uma obra que tem na escuta intercultural e no respeito aos povos originários seus pilares fundamentais.
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