Em Belo Horizonte, N.Netta apresenta seu livro de estreia na ficção, que dialoga com a experiência de milhares de mulheres

A escritora e jornalista mineira N. Netta leva seu romance autoficcional “Do Tamanho de um Grão” para uma sessão de autógrafos no Festival Sempre Um Papo, em Belo Horizonte, no dia 28 de fevereiro, às 19h, na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais (Praça da Liberdade, 21 – Savassi). A obra, publicada pela Dulcineia/Grupo Editorial Quixote em 120 páginas, propõe uma reflexão íntima e política sobre silenciamento, repressão e a experiência humana do aborto, em um formato de encontro acolhedor pensado para aproximar autor e leitores.
“Do Tamanho de um Grão” marca a estreia da autora na ficção e conta com apresentação da tradutora e escritora Isadora de Araújo Pontes, responsável pelas obras de Annie Ernaux no Brasil. “A obra de estreia de N.Netta na literatura é uma narrativa retrospectiva sobre uma experiência extremamente íntima da narradora, que, ao mesmo tempo, evoca a experiência de milhares de outras mulheres”, escreve Isadora. A capa e o projeto gráfico são assinados pela artista Gabriela Abdalla, e um dos textos de orelha traz a assinatura da editora Bruna Fortunata, reforçando a atenção dedicada à construção visual e editorial do livro.
Ambientado no final da década de 1980, o romance acompanha a protagonista diante das diversas formas de violência impostas pela sociedade, incluindo o silenciamento, a repressão e a omissão do Estado, a partir do momento em que decide não continuar com a gravidez. A narrativa dialoga com o cenário cultural e político da época, fazendo menções a artistas como Cazuza, Madonna e a banda Legião Urbana. “O tema central é o aborto, mas vai além disso: trata‑se da profunda humanidade dessa experiência na vida das mulheres”, explica N.Netta, que recusa reduzir a trama apenas ao ato jurídico ou moral, priorizando a dimensão emocional e existencial da escolha.
A escassez de obras brasileiras ficcionais que abordam o tema aborto foi um dos principais impulsos para a escrita de “Do Tamanho de um Grão”, somada ao contato da autora com dois livros autoficcionais de escritoras francesas: “O Acontecimento”, de Annie Ernaux, e “Dezessete Anos”, de Colombe Schneck. “Ao ler essas obras, percebi que o tabu do aborto estava sendo enfrentado pela literatura francesa, e que existia uma lacuna na literatura brasileira”, analisa N.Netta. “O Acontecimento foca no ato do aborto em si, já ‘Dezessete Anos’ é uma narrativa que enfatiza a idade da autora quando fez o aborto. E eu queria narrar o tema sob outra perspectiva, que deixo a cargo do leitor e da leitora descobrir.” Assim como Ernaux e Schneck, a autora parte de uma experiência real, mas insere a trama em um contexto de ilegalidade da interrupção voluntária da gravidez, tanto na época narrada quanto na situação brasileira atual, construindo um texto desafiador, que dialoga com temas considerados tabus pela sociedade.
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