Na Cinemateca Brasileira, programa exibe cerca de 20 filmes que atravessam quatro décadas de estilo, cor e melodrama marcante

Entre os dias 4 e 15 de março de 2026, a Cinemateca Brasileira, em parceria com a Embaixada da Espanha no Brasil e o Instituto Cervantes, realiza a Retrospectiva Pedro Almodóvar, reunindo cerca de 20 filmes do diretor espanhol. A programação atravessa mais de quatro décadas de uma das filmografias mais marcantes do cinema contemporâneo, destacando sua irreverência, uso expressivo das cores, citações da cultura popular e narrativas complexas. Juntas, essas escolhas redefiniram o melodrama, criaram uma variedade de comédia e construíram personagens femininas tão singulares que cunharam o termo “almodovarianas”.
A trajetória almodovariana se desdobra em diferentes momentos que dialogam com transformações históricas, culturais e pessoais. Seus primeiros filmes surgem na Espanha pós‑Franco, no contexto da Movida Madrilenha, movimento contracultural que expressava a liberação cultural e ideológica após décadas de repressão. Nesse cenário, Almodóvar inicia sua carreira com obras marcadas por energia anárquica, provocação e humor transgressor, construindo uma estética ligada ao punk, ao underground e à fluidez de gênero, em que o choque se sobrepõe ao acabamento formal.
A partir do final dos anos 1980, o diretor passa a equilibrar liberdade criativa e rigor narrativo, reinterpretando o melodrama clássico pelo camp, pelas cores saturadas e por protagonistas femininas fortes. É nesse período que se consolida como autor e alcança projeção internacional, com um universo visual imediatamente reconhecível, que une sexualidade, identidade e desejo em estruturas narrativas mais coesas. Já nos anos 1990 e início dos 2000 o tom se torna mais introspectivo, com filmes que enfrentam luto, maternidade, memória e culpa em melodramas menos irônicos e mais diretamente afetivos, considerados por muitos como o ápice de sua carreira.
A partir do século 21, Almodóvar mergulha em direção às zonas mais obscuras de seu imaginário, com produções mais frias, controladas e inquietantes, que incorporam elementos de suspense psicológico e exploram identidade, repressão, trauma e voyeurismo. O protagonismo masculino passa ao primeiro plano, o tom se escurece e o desconforto substitui parte do calor e da alegria das fases anteriores. Nos trabalhos mais recentes, o diretor assume um registro ainda mais pessoal, com narrativas contidas sobre envelhecimento, memória, doença e legado artístico, em que o silêncio e a reflexão sobre a própria trajetória se tornam protagonistas.
A retrospectiva conta com cópias em 35mm preservadas pela Cinemateca Brasileira dos filmes “De Salto Alto”, “Kika” e “A Lei do Desejo”, entre outros destaques da filmografia. Todas as sessões são gratuitas, com distribuição de ingressos na bilheteria da Cinemateca uma hora antes de cada sessão, reforçando o acesso do público a uma das mais importantes discografias do cinema contemporâneo.
CINEMATECA BRASILEIRA
Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Mariana
Horário de funcionamento
Espaços públicos: de segunda a segunda, das 08 às 18h
Salas de cinema: conforme a grade de programação.
Biblioteca: de segunda a sexta, das 10h às 17h, exceto feriados
Sala Grande Otelo (210 lugares + 04 assentos para cadeirantes)
Sala Oscarito (104 lugares)
Área externa (300 lugares)
Retirada de ingresso 1h antes do início da sessão
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