MASP apresenta primeira mostra de Sandra Gamarra Heshiki

Exposição “réplica” questiona museus, colonização e cronologias de arte em diálogo com LiMac, o museu fictício da artista

Divulgação / Sandra Gamarra, 2020-21. Museo de Arte de Lima

O MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta, de 6 de março a 7 de junho, a primeira exposição panorâmica de Sandra Gamarra Heshiki (Lima, 1972). Com o título Sandra Gamarra Heshiki: réplica, a mostra reúne mais de 70 obras entre pinturas, esculturas, instalações e vídeo, percorrendo os últimos 25 anos de uma produção que recorre à réplica, à citação e à reorganização de materiais para contestar o sistema artístico e a herança colonial que atravessa os museus. A curadoria é de Adriano Pedrosa (diretor artístico do MASP), Florencia Portocarrero (curadora independente), Guilherme Giufrida (curador assistente) e Sharon Lerner (diretora artística do MALI – Museo de Arte de Lima), instituição parceira, que receberá uma versão adaptada da mostra após sua passagem pelo MASP.

Em sua trajetória, Gamarra Heshiki investiga o papel dos espaços culturais e como esses espaços contribuem para a construção de uma história da arte linear, excludente e centrada em modelos europeus. Essa crítica institucional motivou a fundação, em 2002, do LiMac – Museo de Arte Contemporáneo de Lima, um museu fictício que existe como arquivo digital, respondendo à falta de um museu de arte contemporânea efetivo em Lima e questionando a forma como muitas instituições contam o passado a partir de uma matriz colonial. Para a artista, “se o museu é um lugar a partir do qual a história é ditada, por que não criar um museu que, sob o mesmo manto de autoridade e permanência institucional, conte uma história diferente?”.

A exposição réplica se organiza como uma museificação da própria obra, em que a cronologia clássica da arte é intencionalmente plagiada. Giufrida aponta que a mostra “reflete, literalmente, o espaço” e a estrutura típica dos museus enciclopédicos, com núcleos que remetem a períodos como “pré‑colonial”, “colonial”, “pós‑independência”, “moderno” e “contemporâneo”, além de uma sala dedicada ao LiMac. Assim, Gamarra convergence seu acervo‑obra em um carrusel crítico: suas produções funcionam como fragmentos que simulam um museu inteiro, complexificando a ideia de progressão linear e expondo como recortes, exclusões e hierarquias moldam o que chamamos de “história da arte”.

MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200
Telefone: (11) 3149-5959
Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h); quarta e quinta das 10h às 18h
(entrada até as 17h); sexta das 10h às 21h (entrada gratuita das 18h às 20h30); sábado e domingo, das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos

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