Leïla Slimani, vencedora do Goncourt, explora maternidade e poder em trama brutal

A franco-marroquina Leïla Slimani relança Canção de Ninar, romance vencedor do Prêmio Goncourt que chocou o mundo com suspense psicológico sobre relações de poder e maternidade. Publicado em mais de 30 países e com 600 mil exemplares na França, o livro abre com o assassinato de duas crianças pela babá, retrocedendo para desvendar tensões sociais.
Myriam, mãe que retoma a carreira apesar da resistência do marido, contrata Louise, babá aparentemente perfeita: eficiente, dedicada e indispensável. A convivência revela frustrações, dependências desiguais e preconceitos de classe, transformando o lar em campo minado de alertas sutis.
Slimani constrói tensão implacável a partir de gestos cotidianos, questionando culpas maternas, papéis femininos e miséria que leva à loucura. Sem julgamentos, o livro radiografa como estruturas opressoras moldam indivíduos, do imigrante subalterno à burguesa ambivalente.
A adaptação para HBO reúne Nicole Kidman como produtora e estrela, com Maya Erskine no papel de Louise e roteiro assinado por ela. Ainda sem data, a série promete ampliar o impacto global da narrativa que desestabiliza expectativas do leitor.
A obra permanece atual ao iluminar essências de nosso tempo: violência enraizada na desigualdade, perfeição ilusória e o preço da aceitação social. Um convite perturbador à reflexão sobre o que esconde o verniz das famílias “perfeitas”.
Slimani consolida-se como voz essencial da literatura francesa contemporânea, misturando realismo cru e crítica afiada em história que prende desde a primeira linha trágica.
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