Autobiografia atravessa gerações japonesas em SP, confrontando racismo e identidade na cidade dos 472 anos

Tieko Irii, artista visual paulistana, estreia com “As Ruas Sem Nome” (Patuá, 2025), narrativa autobiográfica que une três gerações de imigrantes japoneses, tendo São Paulo como personagem central. Partindo da autobiografia secreta do pai Hisako – fuga pós-guerra no Japão e chegada ao Brasil –, a obra expande para racismo, “perigo amarelo”, minoria modelo e exotificação de corpos nikkeis nos anos 80.
A autora tece paradoxos do branqueamento brasileiro: “Nem totalmente aceitos, nem estrangeiros”, analisando bullying, invisibilidade e busca por pertencimento entre SP e Japão. Estruturado em quatro partes, alterna relatos paternos com memórias pessoais, colagens familiares e reflexões sobre silenciamento patriarcal e machista que invalidam vozes nipo-brasileiras.
“Escrever foi confronto, não cura: revisitei vergonha, culpa e não-pertencimento”, confessa Tieko. O livro resgata lacunas familiares como história coletiva, afirmando múltiplas identidades em “não lugar que é lugar”. Atos políticos como publicar desafiam estereótipos, validando narrativas femininas asiáticas em debate atual sobre representatividade.
Publicar é transformador: “Percebi que contar nossa história liberta, passa adiante e muda vidas”. Obra essencial para entender raízes asiáticas no Brasil profundo.
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