Romance definitivo da autora volta às discussões com edição cuidadosa da Estação Liberdade

Em 25 de janeiro, celebra-se o centenário de nascimento de Ingeborg Bachmann (1926-1973), uma das vozes mais intensas e complexas da literatura pós-guerra em língua alemã. Membro do Grupo 47 ao lado de gigantes como Günter Grass e Paul Celan, Bachmann construiu uma obra marcada por melancolia, fragmentos autobiográficos e uma investigação radical sobre linguagem, identidade feminina e violência estrutural.
Nascida em Klagenfurt, Áustria, a autora formou-se com tese sobre Heidegger e Wittgenstein antes de se destacar como poeta e roteirista de radionovelas. Sua escrita explora amor, trauma e a continuação invisível da guerra nas relações cotidianas, como resume Elfriede Jelinek (Nobel 2004): “Bachmann retratou, por meios radicalmente poéticos, a tortura e aniquilação na sociedade e nas relações entre homens e mulheres”.
Seu único romance, Malina (1971), abre a trilogia inacabada Maneiras de morrer e acaba de ganhar nova edição brasileira pela Estação Liberdade. Narrado por uma escritora vienense dividida entre dois homens — o distante Malina e um amante obsessivo —, o livro mergulha em memórias aterrorizantes, sonhos perturbadores e um triângulo amoroso que revela violência masculina e fascismo latente.
A capa, desenhada por Ruth Klotzel, reflete a densidade da obra: “Impossível fazer algo festivo para Malina. Optei por uma foto intensa de Ingeborg, cores profundas da noite, contraste ácido e toque melancólico”. O resultado transmite a força introspectiva do texto em prosa poética, diálogos teatrais e versos livres.
A morte trágica de Bachmann, em incêndio aos 47 anos, interrompeu a trilogia, mas Malina permanece como testamento literário completo — rico em forma e devastador em conteúdo. Correspondências com Frisch e Celan revelam debates sobre literatura, política e patriarcado que atravessam sua obra.
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