Sequência expande o mundo da cidade-animal com humor afiado, visual exuberante e química intacta de Judy e Nick

Zootopia 2 chega quase dez anos depois do original e justifica completamente a espera: o filme funciona como um buddy cop vibrante, com Judy Hopps (Ginnifer Goodwin) e Nick Wilde (Jason Bateman) já parceiros oficiais na polícia, agora obrigados a encarar um programa de “Parceiros em Crise” sob o olhar do ainda intimidador Chefe Bogo (Idris Elba). A trama começa com uma investigação que envolve o misterioso Gary De’Snake (Ke Huy Quan), uma cobra inicialmente tratada como ameaça, mas que logo se revela peça-chave em uma história sobre preconceito, reputação e pertencimento.
O roteiro de Jared Bush usa a premissa mais como trampolim para set pieces cômicos e visuais do que como mistério clássico, mas isso joga a favor do filme: a graça está na sucessão de situações absurdas e na maneira como o universo de Zootopia se reinventa a cada cenário. O baile de gala dos linces fundadores, o barco de morsa, o festival à la Burning Man, a perseguição no labirinto que pisca para O Iluminado e a volta de Flash em contexto totalmente contrário ao estereótipo – tudo reforça o cuidado de direção de Bush e Byron Howard em orquestrar piadas visuais, timing de comédia e textura de mundo.
Onde o filme realmente cresce em relação ao primeiro é na sensação de densidade do elenco e de camadas de referência: o novo prefeito-cavalo Brian Winddancer (Patrick Warburton), a castor faminta Nibbles Maplestick (Fortune Feimster), aparições de vozes como Jean Reno, Andy Samberg, Macaulay Culkin, Amanda Gorman, Bob Iger e Michael J. Fox, além do retorno de Shakira como Gazelle com o potencial hit “Zoo”. O resultado é quase um It’s a Mad, Mad, Mad, Mad World animado, cheio de piscadas internas para quem acompanha tanto a cultura pop quanto os bastidores da Disney.
Mesmo com tanta informação, o coração permanece na relação Judy/Nick: o filme encontra espaço para aprofundar o afeto entre os dois, mantendo o humor defensivo de Nick (“raposas são animais solitários”) enquanto insinua um caminho romântico para uma continuação já provocada na cena de meio de créditos. A combinação de humor sofisticado, subtexto sobre preconceito (agora focado em répteis) e emoção sincera faz de Zootopia 2 um raríssimo caso de sequência que mantém o nível do original e ainda aponta para um futuro promissor – com a torcida para que o próximo capítulo não demore outra década.
Fonte: THR
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